A música em 2021, o ano em que o digital deu uma ‘pisadinha’ em padrões e limites


A alegria dos encontros pode ter ficado para 2022, com a volta das turnês dos nomes consagrados e dos grandes festivais, mas a música seguiu caminhando ao longo do ano que se encerra esta sexta-feira. E encontrou possibilidades em um mundo digital acessível aos bilhões que passaram os seus dias no isolamento, por causa da Covid-19.

Impulsionado pelo streaming, o mercado da música gravada cresceu 27% nos Estados Unidos apenas na primeira metade do ano, segundo dados da Associação da Indústria Fonográfica do país (RIAA). E, no meio de 2021, o Brasil se viu com mais de 60 milhões de usuários nos streamings de áudio, somando contas pagas e gratuitas — um aumento de 7% em relação ao mesmo período de 2020, conforme pesquisa da Associação Brasileira de Música Independente.

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Em tempos de Spotify, Amazon, Apple, Deezer, Tidal e YouTube Music, o brasileiro teve oportunidade de realizar, em âmbito familiar, as festas que costumavam tirá-lo de casa. E isso basicamente possibilitou, no começo do ano, a explosão do novo forró, conhecido como piseiro ou pisadinha. Barões da Pisadinha, Tarcísio do Acordeon, Zé Vaqueiro e João Gomes — legítimos fenômenos de uma cultura digital que criou astros nas plataformas de streaming antes mesmo de atingir as emissoras de rádio e TV — foram alguns dos nomes com os quais os ouvintes acabaram tendo que se familiarizar este ano.

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E quem um dia for lembrar do que aconteceu na música em 2021 também não poderá deixar de citar o fenômeno para TikTok, aplicativo chinês cujo engajamento se dá por meio de vídeos curtos e que chegou este ano ao número de um bilhão de usuários ativos. Graças a ele, cresceram exponencialmente quase do zero artistas como João Gomes e o grupo italiano de rock Luar, atração do Rock in Rio 2022, cujo “Beggin’” (cover de uma canção de 1966 do grupo Frank Valli & The Four Seasons, lançada em 2017) chegou aos primeiros lugares das paradas do streaming de vários países.

Com seu apelo irresistível para os adolescentes do mundo, o TikTok não só impulsionou as carreiras de novos nomes como ainda conseguiu reviver uma música como “Dreams” (de 1977, do grupo Fleetwood Mac), que viralizou graças ao vídeo de um skatista — um dos fatos que acenderam na indústria o interesse pelos catálogos musicais.

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Em 2021, de Fleetwood Mac, Bob Dylan e Neil Young a, mais recentemente, Bruce Springsteen, vários foram os astros que negociaram com investidores os direitos sobre o faturamento digital de suas músicas. E este também foi o ano em que os músicos também tentaram a sorte no mercado no NFT (os tokens não fungíveis), criando obras únicas para serem negociadas no mercado da arte.

Neste ano pandêmico, no qual os artistas de sucesso passaram a dedicar mais atenção ao lançamento de músicas isoladas do que de álbuns, muito da configuração artística do pop também mudou. Kanye West e Drake podem ter mais uma vez batalhado pelos primeiros lugares das paradas, mas quem gerou números e dominou a narrativa nas redes sociais foi Lil Nas X, de 22 anos, com o álbum de estreia, “Montero”, o abusado manifesto de um jovem negro e gay pelo direito de ser quem é.

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E 2021 foi também um ano feminino para a música, com álbuns das brancas Adele, Billie Eilish, Lorde, Lã do rei e Taylor Swift e as negras Garanhão Megan Thee e Doja Cat (atração do Lollapalooza Brasil em 2022). Já Olivia rodrigo e Salgueiro anunciaram um renascimento feminino do rock. Ao mesmo tempo, latinos (como o porto-riquenho Bad Bunny, o artista mais ouvido do Spotify em 2021) e os coreanos do k-pop abriram grandes flancos nas paradas mundiais para o pop não anglo-saxão.

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Os festivais Universo Spanta (entre 7 e 30 de janeiro, na Marina da Gloria) e REP (12 e 13 de fevereiro, no Parque dos Atletas), mais o Lollapalooza (de 25, 26 e 27 de março, em São Paulo) e o Rock in Rio (de 2 a 11 de setembro, no Rio) sinalizam para um 2022 de volta do grande público aos shows — algo que também se verifica em turnês de artistas como Marisa Monte (que começa sua caminhada pelo Brasil com o repertório do disco “Portas” no próximo dia 19, em apresentação na Jeunesse Arena). Mas os cuidados com a Covid-19 seguem.

— Vamos enviar informações oficiais ao público na época do evento, assim poderemos seguir as orientações e protocolos vigentes do momento — garante Francesca Brown Alterio, diretora de marketing e da área de festivais da Time For Fun, que produz o Lollapalooza.

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E para quem fica em casa, mas não quer perder a experiência imersiva de um show, o ano também promete, com o avanço do Dolby Atmos, simulação de áudio espacial de 128 canais, feita nos dois canais do estéreo, para ser ouvida tanto em headphones quando em boates. Ele ainda está disponível no Brasil apenas faixas do Tidal e da Apple Music, mas deve chegar em 2022 às outras plataformas.

— Nos últimos seis meses, mais de 200 faixas foram mixadas em Dolby Atmos no Brasil. E em 2021, Luísa Sonza fez o primeiro álbum todo em mixagem imersiva no país — informa Giovanni Asselta, engenheiro de soluções da Dolby para a a America Latina. — Antes, você só poderia ter a sensação do som vindo de todas as direções com um home theater. Agora, você pode ter isso nos seus fones de ouvido, de qualquer tipo.



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