Ativistas palestinos denunciam censura do Facebook e fazem campanha na rede


JERUSALÉM — Com as palavras-chave “Facebook bloqueia Jerusalém”, ativistas e jornalistas palestinos realizam, há um mês, uma campanha contra a gigante americana, acusada de apagar, por meio de seus algoritmos, conteúdo pró-palestino de sua plataforma.

Em 4 de dezembro, a jornalista Christine Rinawi postou em sua conta no Facebook um vídeo mostrando forças de segurança israelenses atirando em Jerusalém contra um palestino caído no chão, morto após realizar um ataque com faca contra um civil israelense. Logo após a publicação, a jornalista — seguida por cerca de 400 mil pessoas na rede social — constatou que a foto foi retirada do ar. Ela já havia sido restringida quando compartilhou imagens de outro ataque em Jerusalém.

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Em ambos os casos, a Meta, empresa-mãe do Facebook, estimou que as imagens violentas violaram suas regras. Mas Rinawi disse à AFP que, em sua opinião, é mais uma “perseguição” digital contra os palestinos. A jornalista, correspondente do canal público Palestine TV, garante que não compartilha opiniões pessoais, mas atua como jornalista.

O site Maydan al-Quds também sofreu um destino semelhante. Sua conta principal, seguida por mais de 1,2 milhão de pessoas, foi retirada do ar. Pouco depois, uma segunda página, seguida por 80 mil pessoas, também desapareceu.

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Agora, o canal hesita em criar novas páginas no Facebook “porque podem ser suprimidas novamente”, explica o jornalista Baraa Abou Ramoz, que acusou a empresa americana de querer “silenciar a voz de Jerusalém”.

A organização de direitos humanos Human Rights Watch acusou o Facebook de censura por ter suprimido “injustamente” publicações pró-palestinas em maio, em um momento de aumento da violência em Israel e nos territórios palestinos. De acordo com o Sada Social, movimento que defende os direitos digitais palestinos, 600 contas ou postagens pró-palestinas foram restringidas ou suprimidas em 2021, um recorde.

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Para Rama Youssef, porta-voz da campanha “Facebook bloqueia Jerusalém”, a plataforma segue um “padrão duplo”. Questionado pela AFP, a Meta garantiu que aplica as mesmas regras para todos os usuários da internet “sem distinção”.

— Temos uma equipe dedicada, incluindo falantes de árabe e hebraico, que cuidam da segurança de nossa comunidade, da remoção de conteúdo nocivo e respondendo o mais rápido possível a quaisquer erros — afirmou um porta-voz da empresa.

Termo proibido

O termo “mártir”, frequentemente usado por palestinos para descrever pessoas mortas por forças israelenses, seja em um ataque ou em outra circunstância, continua sendo um problema porque é proibido pela rede social, de acordo com Iyad Al Rifai, especialista em mídia palestina.

A Meta “invoca a lei dos EUA que considera os agressores como terroristas”, explica o especialista. A empresa não fez omentários sobre o uso do termo. 

Segundo o Sada Social, há contas que também foram apagadas porque, segundo a Meta, pertenciam a pessoas ligadas ao movimento islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza e é considerado pelos Estados Unidos como organização terrorista.

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Por vários anos, o departamento cibernético do Ministério da Justiça israelense tem trabalhado para apontar o conteúdo que considera prejudicial. Ele identificou “dezenas de milhares” de postagens e contas pró-palestinas, estima o Arab Center, com sede em Washington. A empresa, segundo o instituto de pesquisa, teria aceitado as indicações. A Meta, por sua vez, afirmou que trabalha para aprimorar seus algoritmos a fim de diferenciar o conteúdo jornalístico de outros.

Mas isso não é o suficiente, acredita Rifai, preocupado que a supressão maciça de contas impeça os palestinos de darem sua opinião nas redes.



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