Em dez anos, Projeto Refauna tem projeto bem-sucedido de reintrodução de animais no Parque da Tijuca


RIO – Cutias nas Paineiras, bugios no Corcovado, jabutis perto da Cachoeira do Horto, antas nos arredores do Açude da Solidão. As cenas são possíveis, mas é preciso cuidado redobrado com os animais do Parque Nacional da Tijuca. Afinal, desde o início da pandemia, em março de 2020, a bicharada acostumou-se a encontrar pouca gente na reserva florestal mais visitada do Brasil — são cerca de três milhões de pessoas por ano. O avanço do coronavírus forçou o fechamento da maioria dos setores. E os bichos circularam com mais desenvoltura. Agora, com a vacinação e o retorno de atividades, o parque promove uma reabertura gradual, atento ao respeito à vida silvestre que lá habita. Os animais voltaram a circular nas áreas de convivência e necessitam se readaptar à presença humana.

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Entre os bichos estão aqueles sob os cuidados do Projeto Refauna, criado em 2010 com o objetivo de reintroduzir espécies nos espaços remanescentes da Mata Atlântica. Tudo começou com as cutias, hoje consideradas estabelecidas. Cada uma delas vive cerca de quatro anos, e toda a população atual nasceu no parque. Depois vieram bugios-ruivos, antas e jabutis-tinga — estes últimos tiveram um reforço populacional de 12 integrantes em janeiro de 2021. Mas a pandemia arrefeceu os trabalhos. Agora, a ONG responsável pelo projeto quer retomá-los com todo o gás. A meta para 2022 é reintroduzir a arara-canindé e promover o reforço populacional do trinca-ferro.

A iniciativa de repovoamento do local partiu da percepção do biólogo e pesquisador da UFRJ Marcelo Rheingantz, que notou que a reserva vivia a síndrome da floresta vazia, dada a escassez de animais habitando a área, o que prejudica todo o ecossistema.

— Os animais têm um papel importante na biodiversidade. Como se alimentam dos frutos das árvores, eles espalham as sementes pelas fezes e são responsáveis pelo plantio de novas árvores, mantendo assim a biodiversidade. Uma floresta sem animais está doente — explica.

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Ele conta que os macacos bugios procriaram recentemente, formando uma família de sete membros, Os jabutis-tinga já existiam no parque, mas, com o reforço, hoje são mais de 50. Depois da pausa provocada pela Covid-19, o Refauna tem planos ambiciosos.

— Nosso objetivo é colocar mais cinco espécies na floresta nos próximos dez anos. Estamos trazendo os animais para salvar o ecossistema e tornar mais rica essa ilha de floresta, resquício da Mata Atlântica — frisa Rheingantz, que é o diretor executivo da ONG.

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Ele diz ainda que, antes de serem soltos no parque, os animais passam por um processo de pesquisa para constatar se têm condições de se readpatar à vida selvagem. Após essa fase inicial, a espécie é solta na mata tendo acoplada ao seu corpo um radiotransmissor, a fim de ter sua movimentação acompanhada. Nesse primeiro momento, os animais ficam numa área protegida por cercas, para voltar caso não se adaptem.

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Uma das maneiras de preservar a vida e a saúde dos bichos foi a limitação de circulação de carros nas vias internas do Parque Nacional da Tijuca. Porém, desde 6 de dezembro, as regras foram flexibilizadas. Agora, nos dias úteis, das 9h às 17h, a Estrada Dona Castorina está liberada para veículos na parte localizada entre o cruzamento da Rua Pacheco Leão, no Horto, e o cruzamento com a Estrada das Furnas, no Alto da Boa Vista. Nos fins de semana e feriados, o uso da via ainda está restrito a ciclistas e pedestres. Segundo a administração, é preciso readaptar os animais a este movimento, uma vez que durante o período em que a área ficou fechada ao trânsito, eles se acostumaram a transitar por lá.

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Outras vias do parque permanecem fechadas e sem prazo para reabertura. Como a Estrada do Redentor, que fica entre a Rua Boa Vista, no Alto, e o Centro de Visitantes Paineiras; e a Estrada do Sumaré, entre a Estrada do Redentor e a Praça Del Vecchio, no Rio Comprido. Nos logradouros situados no Alto da Boa Vista, onde está o Setor Floresta, somente está sendo permitido o acesso de carros que estejam transportando idosos e pessoas com deficiência e portando o cartão ou o adesivo de estacionamento emitido pela prefeitura que comprove a condição.

O Refauna tem ainda um projeto de voluntariado ocasional, em que o participante escolhe um dia e vai colaborar com as atividades da equipe; e outro extensivo, em que o voluntário fica um período maior colaborando na pesquisa. No momento, este último modelo está suspenso devido à pandemia. Os interessados podem entrar em contato no site da entidade.

* Estagiário, sob a supervisão de Milton Calmon Filho



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