Réveillon em Copacabana teve show no céu para marcar a retomada


RIO — Sem uma grande multidão, a Praia de Copacabana foi coberta por um mar de esperança na passagem para o novo ano. Após a entrada de 2021 sem festa, fogos ou vacina, 2022 chegou com luzes no céu, chuva para lavar a alma e abraços —um “luxo” possível após o Rio atingir mais de 80% de sua população imunizada com duas doses contra a Covid-19. O sentimento do público — a Riotur não forneceu uma estimativa de quantas pessoas acompanharam o espetáculo — era de recomeço. Para quem brindou a vida com pés na areia, foi o momento de olhar para frente, sem esquecer das lições aprendidas com a pandemia. Não houve shows — a presença do vírus ainda exige cautela. E as restrições no trânsito e no metrô (que fechou às 20h) contribuíram para evitar aglomerações. Mas não faltou brilho na virada: foram 15 minutos de um emocionante espetáculo pirotécnico, que teve como pontos altos explosões de corações em 3-D, estrelas multicoloridas e, para fechar a noite, cascatas prateadas e douradas nunca vistas no réveillon carioca.

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Saúde, emprego e vacina

Como trilha sonora, uma seleção especial do DJ MAM, que embalou o público por meio de 25 torres de som. No momento da virada, o que mais se viu foram pessoas transbordando em alegria e fé: saúde ficou em primeiro lugar na lista de pedidos, seguida de emprego e de apelos para que as crianças também possam ser vacinadas.

E teve vacina no braço no último dia de 2021: em Copacabana, 370 pessoas aproveitaram para receber sua dose nos postos médicos montados na praia. A decoradora Maria da Graça Alves, de 55 anos, moradora do Catete, tomou o seu reforço contra a Covid-19:

— Não tivemos caso grave na família, e, nesta virada para 2022, vamos comemorar e pedir, principalmente, para que a pandemia passe logo e que nossas vidas voltem ao normal.

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Como há muito não se via, Copacabana foi ocupada por diferentes sotaques. Turistas estrangeiros e de todo o Brasil, mas sobretudo de São Paulo, lotaram os hotéis se somaram a cariocas. Algumas famílias, mesmo marcadas pela saudade de entes queridos que se foram por causa do coronavírus, fizeram questão de resgatar a tradição de festejar a chegada de um novo ano à beira-mar. Outras comemoraram o fato de terem passado dois anos críticos sem perdas. Entre os simbolismos deste réveillon em Copacabana, um é o do reencontro. Seja entre amigos, familiares ou mesmo do povo com a rua. A sensação era de retomada.

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— É a primeira vez que viajamos para outro estado depois da pandemia, e, para o ano que chega, espero que a gente se mantenha com bastante saúde para aproveitar momentos como este — disse a a gerente de marketing Cyntia Pietrobon, que veio de São Paulo com a família assistir ao espetáculo de luzes.

Tempo de superação

O casal Denilson Ramos e Karina Ribeiro, de Campinas, escolheu Copacabana para festejar um novo ciclo. Após sofrer muito com a perda de uma prima para a Covid-19, ela deu a volta por cima e está esperando um bebê. Ele, por sua vez, conseguiu mudar para um emprego melhor:

— Muitas pessoas perderam seus entes queridos, e não foi diferente para nós. Mas Deus nos abençoou este ano com o Gael, que está com seis meses. E, em plena pandemia, consegui me reerguer, arrumar um novo trabalho.

Também houve a retomada de festas icônicas do Rio. No Morro da Urca, o público foi embalado por Jorge Aragão e a bateria da Mangueira. O Copacabana Palace serviu um jantar e, à meia-noite, sua varanda serviu como camarote para a queima de fogos.

O Hotel Nacional, em São Conrado, contou com uma cascata de fogos de 50 metros. E o Cristo Redentor, protagonista do réveillon anterior — quando iluminou o céu com uma contagem regressiva até a meia-noite — teve convidados animados aos seus pés, com um show de Lulu Santos.

A cascata de fogos do Hotel Nacional Foto: Divulgação
A cascata de fogos do Hotel Nacional Foto: Divulgação

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Arrastão à meia-noite

A alegria deu o tom do réveillon carioca, mas houve também violência. Apesar do policiamento reforçado, com 4.500 agentes, pessoas relataram furtos e roubos ao longo da noite. E, justamente quando os relógios marcaram meia-noite, um grupo de jovens deu início a um arrastão na areia , na altura do Copacabana Palace. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, quatro pessoas foram esfaqueadas na praia, duas delas na hora virada. Uma das vítimas é uma turista colombiana, ferida no rosto.



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